Após ultrapassar R$ 810 bilhões em patrimônio líquido em 2025, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) devem alcançar a marca de R$ 1 trilhão já nos primeiros meses do ano. A projeção é da Ouro Preto Investimentos e aponta uma migração estrutural do crédito no Brasil.
Hoje, cerca de 76% do crédito no país está concentrado nos bancos, mas estudos da própria gestora indicam que essa participação tende a cair gradualmente. A expectativa é de que o mercado de capitais alcance 37% do crédito total até 2029 e ultrapasse o sistema bancário em 2034, com 51% do crédito.
Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos, afirma que o avanço acompanha o aumento da demanda por financiamento alternativo e por originação especializada. Os FIDCs conseguem atender empresas de diferentes portes e setores, com estruturas adaptadas a recebíveis pulverizados.
O crescimento do crédito alternativo também está ligado ao amadurecimento de instrumentos como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Esses produtos ampliam o acesso das companhias ao mercado de capitais e contribuem para diminuir a dependência do sistema bancário tradicional.
A consolidação da Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também contribuiu para o avanço do setor. A norma ampliou o acesso de investidores a diferentes classes de fundos e padronizou regras de governança e divulgação de informações.
No caso dos FIDCs, a maturação das estruturas com cotas sêniores e subordinadas favoreceu o ganho de escala. As cotas sêniores, que têm prioridade no recebimento dos fluxos de pagamento, são consideradas a camada de menor risco dentro da estrutura do fundo.
Com isso, investidores que antes não acessavam esse tipo de produto passaram a participar da formação de capital dos fundos. Em paralelo, investidores institucionais intensificaram a compra de cotas, ampliando a liquidez do mercado.
A indústria de FIDCs representa 6,9% do mercado de fundos no Brasil, participação superior à dos fundos de ações. A expectativa para 2026 é de continuidade da expansão, sustentada por estruturas mais complexas, fundos multissetoriais e digitalização da originação de crédito.
O apetite de investidores institucionais por retornos acima do CDI — taxa que reflete o custo dos empréstimos entre bancos — também tende a sustentar o crescimento do setor.
Para Turaça, o cenário aponta para uma mudança na forma como os FIDCs são percebidos. Segundo ele, a combinação entre ambiente regulatório mais claro, demanda reprimida por crédito e maior capacidade de originação coloca esses fundos no centro da expansão do mercado de capitais brasileiro.
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